OS TEXTÍCULOS DO MENEZES
por Luís de Menezes y Lencastre
Esta foi uma jornada claramente marcada pela questão disciplinar. E que pede medidas urgentes para sanar os casos que surgem durante os jogos de maneira a que as discussões não se prolonguem eternamente. A bem do BS, estas discussões devem ser cortadas pela raiz.
E eu, que para além de vastos conhecimentos no campo quer do desporto propriamente dito quer da medicina desportiva (Emílio, já analisei a radiografia, estou a acabar de elaborar o meu relatório que depois te mando. Mas está descansado, não é nada de grave. Junto com o relatório mando-te a receita para aviares. Tomas aquela merda sempre depois das refeições, em jejum), tenho ainda largo domínio no campo jurídico (sou eu que assino as crónicas no Público sob o pseudónimo José Manuel Meirim).
A questão das faltas a meu favor, já as resolvi com eficácia: sempre que alguém entre na minha área restritiva (uma circunferência de dois metros em meu redor), basta franzir a testa, semicerrar os olhos e virar costas ao local da falta, dirigindo-me ao bastardo que tem a bola e pedindo-a, em silêncio, com um simples gesto manual (palma virada para cima, com os quatro dedos a fazer um movimento repetido para a frente e para trás). Não tem havido qualquer discussão, o que é positivo e demonstra o acerto da solução.
Já a questão das faltas contra parece mais complicada. Estranhamente, esta Liga recusa-se a incluir no Regulamento uma disposição que resolveria o problema: um parágrafo único dizendo simplesmente «O Senhor Menezes Y Lencastre NÃO faz faltas e dá lições (ou explicações ao domicílio aos atletas com mais dificuldades de aprendizagem) a qualquer um sobre fair-play. Nos lances em que o Sr. MyL intervenha deve o adversário pedir-lhe imediatamente desculpa». E parágrafo.
Mas não é assim. Por isso, a solução tem que se encontrar nos moldes da anterior. Dar meia volta, abando a cabeça negativamente, reforçando esse gesto com o indicador direito também em movimento de negação, enquanto assumo uma cara de Santa Alice das Chagas Sagradas do Redentor Ressuscitado, parece ser a resposta. A FIFA autorizou já um período experimental no próximo campeonato de sub-10 de QI, mas eu cago nisso e vou já fazê-lo a partir de domingo. Que a mim a FIFA não dá lições! Aliás, fui eu que criei a FIFA, caralho!
De resto, joguei totil, apesar das fortes dores causadas por todas as lesões a que fui operado sempre pelos melhores cirurgiões que há (isto porque uma lei absurda me impede de efectuar cirúrgias a mim próprio), e que se curaram sempre em menos de 15 minutos antes do efeito da anestesia passar (pode ter sido até antes do que isso, mas estando anestesiado torna-se difícil concretizar).
Porque o desporto é o são convívio, a participação, a camaradagem e todos os demais princípios nobres que o barão de Coubertin inscreveu no movimento olímpico (e que eu lhe enviei, escritos nas costas de um guardanapo da Pizza Hut, guardanapo esse exposto no museu dos J.O. em Lausanne, ao lado de uma garrafinha que contém o peido que o Zatopek deu no final da maratona de Helsinquia em 1952, que eu por acaso também corri, mas que preferi não terminar porque, para mim, a Maratona não é atletismo), por tudo isso, dizia eu, o resultado final do jogo não interessa pra caralhos.
Até prá semana.
terça-feira, outubro 25, 2005
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