terça-feira, maio 10, 2005

Editorial, por José Rodízio dos Tansos

O descontentamento foi-se generalizando, muitos dirigentes da Liga (o Pimenta), no desempenho das suas funções da treta, foram perdendo o sentido do rigor, do bom senso (que
nunca tiveram) e até das suas próprias responsabilidades desportivas e cívicas (de quem votou no Partido da Terra nas últimas eleições); os processos judiciais, ainda em desenvolvimento, vieram reforçar a dúvida quanto à honestidade do jogo e à transparência dos sorteios; os
jogadores, autênticos broncos analfabetos, foram atirados para um estúpido degredo social (de onde se espera nunca saiam), evitando a todo o custo qualquer discurso além do entediante lugar-comum (e já é um pau...). Ajudou-se, assim, a instalar um ambiente de guerrilha
crónica, aqui e ali caótico na discussão, que agride quem gosta do BS e, acima de tudo, paralisa a evolução do jogo e desrespeita a natural vocação dos areais como espaços de festa e lugares de circo de terceira categoria, propícios, pois, a ser usufruídos pelas famílias, por crianças, por
adolescentes, por pederastas e por adultos. A tudo isto não queremos, nem podemos, ficar indiferentes.

Por isso, o RBS decidiu não pactuar com este estado de coisas, assumir-se como forte opositor da guerrilha institucionalizada no BS e lançar o desafio do arranque de um movimento verdadeiramente regenerador, capaz de devolver ao jogo a sua alma, a sua essência de espectáculo místico, vibrante, emotivo, apaixonado, mesmo. Pelo menos para quem consegue ficar acordado durante os jogos. Capaz de defender o BS dos ventos da violência que o Cali e o
Mendes têm distribuído recentemente e da acção manipuladora do espectáculo. Por isso o RBS decidiu lançar esta semana, e, não por acaso, a semana de arranque para a fase final do último
campeonato, como a SEMANA DO BS.Ao longo da semana, o RBS compromete-se a PUBLICAR, por opção editorial e como é costume, todas as afirmações, venham de onde vierem, de dirigentes, de jogadores, e até de colunistas, que de forma directa e declarada optem por
expressões, atitudes, ou comportamentos que apelem à violência, ao desrespeito por princípios éticos desportivos ou à dúvida infundada sobre a integridade moral e cívica de qualquer cidadão que, por qualquer forma, seja protagonista no grande jogo ou em qualquer outro jogo de outra jornada.Esta é a nossa decisão, amadurecida e desde já anunciada pela razão prioritária da relação do RBS com os seus leitores.

Seremos, pois, como é habitual e por decisão própria, veículos da violência verbal, da suspeição, da manipulação de todos os que entendem que tudo vale para atingir os fins, como o Pimenta ou o Mito e que esperam, por isso, usar e abusar da imprensa desportiva. Fazemo-lo em nome da defesa dos mais legítimos direitos de insulto gratuito e calúnia dos e pelos intérpretes do
espectáculo; em defesa dos inexistentes valores éticos e desportivos essenciais ao descrédito do BS; em defesa da total desonestidade na relação com as bestas dos nossos leitores que têm mais do que merecem, a quem certamente servimos pérolas a porcos na missão de meros agentes no
acto premeditado da manipulação; mas, acima de tudo, creiam, tomámos esta opção em defesa do respeito que todos nós, aqui no RBS, temos por nós próprios.

Nota: Um agradecimento a Vítor Serpa e ao jornal A Bola pela inspiração, pulhice, hipocrisia e total falta de ética que lhe é característica e que serve de modelo e é a luz que nos guia nas horas mais difíceis. Um enorme bem-haja.

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