OS RECORTES DA IMPRENSA
de Manuel Zurrão
«PROGNÓSTICO RESERVADO!»
Foi desta forma lacónica que o Dr. Josef dos Santos Mengele (n.d.r. - piada fina e nada anti-semita) se dirigiu aos jornalistas após a intervenção cirúrgica efectuada ao atleta Miguel Caldas. «Tuto foltou ao nôrrmal: o atlêta djá cómê pêla mão do expôssa, como de cóstume. Ácôrra fou fasser alcuns expêrriênzia cun tomatitos du atlêta e xá volto. Auf Wiedersehen.».
«PRIMEIRAS DECLARAÇÕES DO ATLETA REACENDEM POLÉMICA»
Fontes bem colocadas afirmam que as primeiras palavras do atleta Caldas ao acordar da anestesia terão sido: «É penalty, caralho!». Instado a comentar, Eduardo Esteves foi peremptório: «Nem lhe toquei!». A Liga abriu já um processo sumaríssimo a Miguel Caldas por difamação. O atleta incorre assim numa pena que pode ir até dois jogos de suspensão que poderá ser já obrigado a cumprir nas próximas duas jornadas. A ser assim, o atleta manifestou já a intenção de recorrer.
«ASSOCIAÇÕES ECOLOGISTAS MANIFESTAM-SE»
Vários grupos de ecologistas, entre os quais a Quercus, concentraram-se hoje numa vigília por baixo do monumento à pesca do ruibarbo, na rotunda da Circunvalação, por solidariedade com Miguel Caldas, de há muito considerado uma espécie em vias de extinção. Zé Manel Farelo, da «Associação Párem de Cagar Tudo, Seus Filhos Duma Grande Puta E Já Agora Respeitem O Caralho Do Tratado De Quioto» (A.P.C.T.S.F.D.G.P.J.A.R.C.T.Q), declarou: «Já chega de merda na praia de Matosinhos. Já não bastava o esgoto a céu aberto? Era preciso o Eduardo Esteves pra fazer mais merda?». Já António Espadarte, da «Associação Ambiental Unidos de Alcafache Contra O Abate Das Foquinhas Bébés Do Ártico Coitadinhas Que São Tão Giras» (A.A.U.A.C.A.F.B.A.C.Q.S.T.G.), foi bem claro ao afirmar: «É o problema da desertificação. Já não se vê uma árvore na praia de Matosinhos. Quem as cortou? A nossa associação tem razões para acreditar que o Sr. Esteves está por detrás disto. Há semanas que a gente o tem visto a distribuir lenha pelos amigos...»
«PARTIR É MORRER UM POUCO»
É o título do bonito poema escrito por Edu Esteves, dedicado ao seu amigo Miguel Caldas. O próprio foi entregá-lo ao Hospital de São João, onde aquele atleta se encontra internado. Emocionado e sem conseguir conter as lágrimas, o atleta Caldas terá replicado: «Obrigado, do fundo do coração!». E pegando numa estranha garrafa de vidro pousada a seu lado, terá acrescentado: «Pega, bebe um copo à minha saúde...»
terça-feira, janeiro 10, 2006
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