60 MINETES
por Co Mito Co & Co Milo Co
- Boa noite.
- Boa noite.
- Eu, Co Mito Co...
- E eu, Co Milo Co....
- Convosco em...
- 60 MINETES!
(separador mostrando um relógio não com um, mas com dois cucos, fardados, sem música de fundo, ouvindo-se apenas um tique-taque)
- Hoje, Co Mito Co traz-nos as últimas sobre o que é já designado como «A Aparição de Matosinhos». Vamos ver a peça que ele preparou.
(separador onde aparece escrito «A APARISSÃO DE MATUZINHOS»)
(Imagens da praia de Matosinhos e do castelo do Queijo. Co Mito Co aparece em primeiro plano, de calças arregaçadas e pés descalços, segurando um microfone)
- Foi no passado domingo, pouco passava das nove e meia. Nesta praia, alguns furiosos da bola disputavam as suas peladinhas matinais.
(Virando-se, dirige-se aos mirones postados atrás de si)
- O senhor como se chama?
- Eue? Artur Fernandes.
- O senhor presenciou os eventos?
- Eue? Vi tudinho, caralho. Havia um gaijo que apareceu aqui e que estava entrevadinho de todo, num se mexia, parecia paralítico ou aleijado, eu nem sei bem dizer.
- Então conte lá o que viu.
- Eue? Bem, o gajo estava ali deitado atrás duma baliza e de repente há uma coisa branca, que vem do céu e que pousou na cabeça dele.
- O senhor viu o que era?
- Eue? Num vi. Mas sei que o gajo levantou-se a abrir, olhe: corria cumó caralho, parecia aquele preto dos 100 metros, o Obiquélo.
- Então pensa tratar-se de um milagre?
- Eue? Acho que sim. Acho que foi o Espírito Santo que veio do céu para o curar.
(intervém outro expontâneo)
- Foi sim senhora, que eu vi. É uma aparição. Há até ali uns senhores da lota que acham que foi a alma do Sousa Franco, mas eu acho que não. Foi a Senhora de Fátima, que teve pena dos pecadores do Norte, de os ver ir a pé pra tão longe. Agora podemos vir peregrinar aqui mais pertinho e ainda fazer uma praiinha, trazer um farnel, tudo. (começa a cantar) Avé, avé, avé Maria...
(a turba canta também, acenando com lenços brancos)
(aproxima-se mais um mirone)
- Eu não acho nada disso.
- Como se chama?
- Jorge Amaral. Eu acho que foi uma gaivota que cagou no gajo e o gajo levou com o guano nos cornos e aquela merda escorreu-lhe para a boca e...
(interrompendo-o, a turba desata aos grito)
- Herege filho da puta! Matem-no, assem-no vivo! É foder-lhe os vidros do carro!
- Toca a despachar caralho, que ainda temos que ir para o Olival!
(reaparece Co Mito Co com um ar grave)
- Poderá ter sido um milagre? O facto é que o homem em questão afirmou de véspera que não podia andar, que não podia mexer-se, que não podia correr! Depois correu como um atleta saudável. Afinal, que se passou em Matosinhos? Milagre ou embuste? Passo aos estúdios.
(imagem de estúdio)
- E sem mais comentários, que seriam desnecessários, por hoje é tudo. Eu Co Mito Co...
- E eu, Co Milo Co...
- Fizemos este 60 MINETES para si. Boa noite.
- Boa noite.
(separador com os dois cucos, estranhamente parecidos com os apresentadores. Ouve-se em «off»:
Co Milo: Estiveste mesmo bem filho!
Co Mito: Gostaste? Eu acho que a câmara faz-me mais gordo. Mas gostei de segurar o microfone...
Co Milo: Ah ah ah ah!
Co Mito: Vamos jantar?
Co Milo: Se tu me ajudares...
Co Mito: Ah ah ah ah!)
terça-feira, janeiro 31, 2006
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