segunda-feira, setembro 12, 2005

O Sistema, por José Rodízio dos Tansos

Os situacionistas do autodenominado G5 reuniram-se e decidiram que estava na hora de tomar conta do BS de uma vez por todas. Não lhes chegava ter a Liga controlada pelo Pimenta e o seu yes man Mendes, era necessário afastar definitivamente o Amaral, a única voz livre a funcionar
dentro do organismo.

A memória do RBS não é curta, e após um mais que atribulado final de época, com escandalos desportivos a sucederem-se nas últimas jornadas tendo os principais dirigentes como protagonistas e juízes em causa própria, com uma forte campanha de Guilherme Costa (a quem nunca escondemos o nosso apoio e a quem consideramos o JFK do BS) no sentido de mudar o Sistema instalado, era com enorme espectativa que aguardavamos a eleição de corpos gerais para a época 2005-2006 a realizar-se no jantar de abertura de época.

No entanto, num golpe de teatro de dimensões inimagináveis, a mudança acabou por se revelar um regresso ao passado na sua pior forma e com resultados que nos deixam revoltados e com uma enorme apreensão relativamente ao futuro do BS. Eis os factos:

No início do jantar, o posicionamento dos convivas indicava já aquilo que se acabaria por passar ao longo da noite. O Pimenta da Liga sentou-se no lugar de honra ladeado pelos regressados Paz e Marques, os Cavaco e Soares do BS, enquanto o ostracizado Amaral se encontrava localizado numa ponta da mesa com vista para o rio.

O Pimenta da Liga distribuiu alguns boletins de voto que foram preenchidos sob o olhar ameaçador destes três elementos, chegando ao cúmulo de, à frente de todos, Marques ter indicado claramente ao recém-chegado Mário Nunes onde deveria colocar a cruz numa regra que estava em discussão.

Após recolher os referidos boletins, o Pimenta da Liga anunciou os resultados em voz alta, recusando-se sempre a mostrar o quadro de registo de votação e os boletins recolhidos. Quando confrontado com a falta de alguns boletins, argumentou que os boletins em falta teriam sido
enviados por e-mail, ao qual apenas ele teria acesso.

Para espanto geral, os resultados elegeram Pimenta, Paz e Marques para a Liga, e Mendes e Meneses para a Comissão de Jantares, um novo tacho arranjado para que todos os elementos do G5 tenham um lugar assegurado na mesa do poder do BS. Para o lugar em aberto foi eleito José Augusto, um elemento facilmente controlado devido às muitas ausências e também por se encontrar em minoria. Refira-se também que durante este processo, Meneses, ausente de férias no Algarve telefonava com uma frequência a roçar o ridículo a vários convivas sob o pretexto de discutir uma qualquer regra, mas na realidade tentando auscultar o sentimento geral relativamente ao que se estava a passar.

Quando há alguns anos atrás o Pimenta da Liga se apresentou a sufrágio com uma proposta de rutura com a falta de democracia da direcção da altura, e ao mesmo tempo com uma atitude de consenso ao manter como homens de mão, Paz, Amaral e Mendes, elementos fundadores que não se encontravam satisfeitos com a oligarquia mantida com punho de ferro pelo então afastado Marques, o povo do BS ficou com a ideia que uma nova era estava a despontar e o BS iria
partir para a modernidade e integração europeia que todos desejavamos.

No entanto, e após as referidas cenas da época passada que tiveram o Pimenta da Liga e Mendes como protagonistas, eis que o passado com tudo o que de mau, abjecto e corrupto representa toma conta da Liga sob a forma de um grupo de pressão, que pouco tempo após a sua constituição volta a colocar no poder o caquético Marques e o seu confrade Paz.

Nunca o povo do BS esteve tão em baixo, nunca esteve tão descrente. Olhamos de cima a baixo, do Presidente da Liga ao mais obscuro arrumador de postes, e a sensação é que estamos próximos do "salve-se quem puder". E no meio de tanto motivo de tristeza, acho que é justo fazer uma homenagem a quem tem tentado remar contra a maré do "deixa andar": a Guilherme Costa, cuja luta pela moralização da vida interna do BS tem sido a única luz de lucidez, coragem
e higiene desportiva à vista. Infelizmente, em termos de resultados palpáveis e imediatos, ele vai perder e os trafulhas vão ganhar. Chamado a decidir, o povo do BS escolheu o Pimenta da Liga, Paz, Marques, Mendes e Meneses. E se é isso que o povo quer e é isso que os dirigentes lhe
dão, o problema não é a democracia desportiva. O problema é o povo do BS.
Mas o RBS irá manter-se atento a todas as situações e denunciará qualquer comportamento que coloque em causa a ética inerente a este espaço desportivo que se deseja democrático e participativo, contra uma classe dirigente imoral, ávida do poder e mafiosa. Continuaremos a ser a voz livre, o farol de democracia, o autoclismo que irá descarregar sobre a cabeça dos ímpios e corruptos.

E ficamos a contar os dias para ver quando é que os famosos postes, promessa eleitoral do Paz de há várias épocas para cá, sempre renovada e sempre incumprida, são colocados à disposição dos valorosos atletas do sempre mui nobre e invicto BS de Matosinhos.

Nota Final: O Pimenta da Liga foi eleito com uma
percentagem de votos digna de um acto eleitoral da Coreia
do Norte.

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