sexta-feira, dezembro 03, 2004

As Crónicas da Micas
General Peck: uma explicação

Tem causado estranheza nos meandros do BS, a aversão do Atleta Menezes à ancestral prática do «General Peck», um costume que vem já dos imemoriais tempos em que o BS ainda se jogava não com calções apaneleirados à Jorge Amaral, mas com uma pele de tigre dentes-de-sabre cobrindo o dorso nu e em que quando o antepassado pitecantrópico do Cali (se bem que há quem diga que não se nota qualquer diferença no aspecto de então para cá) se atirava para o chão é porque tinha levado com uma clava nos cornos.

Ora à Micas nada se esconde, a Micas tudo sabe. A Micas é foda. A Micas conhece as razões profundas para tal repulsa. A história conta-se em duas penadas.

Como todos sabem, o Atleta Menezes pertence à alta nobreza, mergulhando a sua linhagem na noite dos tempos. Não admira, por isso, o constante convívio com os grandes de Portugal.
Ora conta-se por aí que o Atleta Menezes terá sido, em tempos, acometido por uma profunda e violenta paixão por uma alta figura do Estado. Pouco se sabe de concreto, mas o SIS tem na sua posse um pequeno excerto de uma escuta então realizada na residência da tal figura e cuja transcrição reza assim:
FIGURA: ó meu amigo Menezes, não me fala uma dessas, que eu, na Guiné, tinha os pretos que queria e já então não gostava nada dessa merda.
MENEZES: ande lá, só desta vez! Ande lá! Não tenha vergonha! Ó General, peque!
FIGURA: ó homem, não se ponha assim de gatas e suba lá as calças. Ó diabo, isso aí parece uma garagem de chaimites, homem!

E cá está! O General em questão era António de Spínola, general de Abril e defensor da Guiné, mas já com uma provecta idade que não lhe permitia sequer erguer o pingalim. A desilusão amorosa e a frustração sexual de Menezes, assim rejeitado, terá sido, dizem-nos os seus próximos, esmagadora. Durante alguns anos, os amigos familiarizados com a história e a escuta, terão banalizado a expressão, que servia de troça quando passavam pelo fidalga personagem: «Ó General, peque!». Ora tudo isto é muito triste e pode marcar um homem.

Isto merece uma reflexão.

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